domingo, 30 de abril de 2006

METADE


Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos. Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço...
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste,que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba,
e que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a plateia e a outra metade, a canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro

Do paraíso ao inferno...


Não tenho uma justificativa plausível para a criação desse blog... Somente a necessidade de expressar meus sentimentos, minhas reações fente às loucuras desta vida, minhas questões e inquietações... ou ao menos a tentativa de tentar encontrar as respostas que procuro...
Talvez seja um discurso só...
Pode ser que ninguém saiba da existência dele, ou então todos saibam! Isso ainda não está definido! Assim como eu...
Como a vida sou instável, tenho meus altos e baixos, meus momentos de extrema razão e meus momentos passionais (embora sejam esses que me conduzem na maioria das vezes...).
A escolha pelo blog e não pelo tradicional "diário" é o fato do meu gosto pelo público, pela platéia, pelos aplausos... ou vaias...
... e também pelo medo do esquecimento...
Bom, assim sou eu: um misto de contradições, de impulsividade... Seria perfeita para uma análise de tese de doutorado para um psicólogo...
Mas decidi escrever quando ouvi de alguém que há muito não via, mas que sempre esteve em meu coração: "... fui do paraíso ao inferno contigo..."
Do paraíso ao inferno...
... INFERNO...
... PARAÍSO...
Qual o limite?
O que os separa?
Onde está a plaquinha de "PARE", onde entramos na aduana, para migrarmos para o outro lado?
Isso me leva a escrever... a tentativa de não fazer novamente com que meu paraíso seja o inferno de alguém...
... ou, ao menos, tentar amenizá-lo!
E, assim, não permitir que as coisas apenas passem por mim...
... e eu por elas!